sábado, 14 de dezembro de 2013

Sobre chapéus, coelhos e ossos


Em meus sonhos, sou um chapeleiro maluco.
Acrobata, a lançar aos ares coelhos esquálidos, já mortos.
Meu show carece de pirotecnia, de outros efeitos especiais.
Tão simples. Tão mundano.

Equilibro-me dentre tantas demandas.
E, vejo, ao longe, meu destino glorioso a se afastar.
As rodas do meu fado giram, descontroladas -
não há mãos a guiar sua trajetória.
Errante, sigo minhas escolhas desconexas.

Gélidos, dois outros roedores sucumbem -
quedam, inertes, na minha cartola.
Observo seus cadáveres diminutos.
Seus corpos macilentos e sem vida -
sem graça nenhuma.

São apenas ossos se acumulando,
preenchendo minha capela particular,
em espera pelos que ainda virão…

Naiana Carapeba (14/12/2013)

quinta-feira, 14 de novembro de 2013

Charles Chaplin


"Falar sem aspas,
amar sem interrogação,
sonhar com reticências,
viver sem ponto final."
(Charles Chaplin)

terça-feira, 24 de setembro de 2013

Silêncio


Há muito deixei o silêncio crescer...
... ocupar o espaço que era seu.

Costurei meus lábios.
Forcei-os a se fechar.
A calar.

Há muito deixei o silêncio crescer...
... ele, agora, sou eu.

Naiana Carapeba (24/09/2013)

quinta-feira, 19 de setembro de 2013

segunda-feira, 16 de setembro de 2013

Shhhhh....



Calar.
Preciso aprender a calar.
Fazer reinar o silêncio em minha alma.
Fazer surgir a calma em minha mente.

Calar.
Preciso aprender a calar.
Fazer as mãos trabalharem,
enquanto o coração silencia seus batimentos inoportunos.

Calar...

Naiana Carapeba (16/09/2013)

terça-feira, 3 de setembro de 2013

Prioridades



O que faz você feliz?
Viva. Viva. Viva.
Mas nunca, jamais, em tempo algum, inverta suas prioridades...

Naiana Carapeba (03/09/2013)

quarta-feira, 31 de julho de 2013

Escolhas


Era fácil compreender as escolhas que ele tinha feito -
embora todas elas estivessem erradas.

Olhou para ela, com uma sombra nos olhos: 
"Apesar dos seus problemas, você ainda é bonita".
Seu corpo transbordava desejo.

Ele assassinava o quanto de sentimento ainda havia nela.
Apunhalava suas lembranças, tornando sujos os momentos que partilharam.

Desnudava-se, impaciente.
Tinha pressa em se satisfazer.

Melancolicamente, ela percebia que sua falta de tato era proporcional à certeza que ele tinha de a possuir, completamente.
Então, ele não mais perdia tempo com detalhes, com mentiras, com engodos.
Estava ali. Era o quanto bastava.
... Ou não?

Não.  Não era o bastante. Não para ela.

Então, ela se cobriu - era inteiramente pudor.
Negou-se.
Cerrou-se, gélida.

Era fácil compreender as escolhas que ele tinha feito -
embora todas elas estivessem erradas.

Ela só não precisava mais partilhar disso.


Naiana Carapeba (31/07/2013)

terça-feira, 16 de julho de 2013

Gênesis


Deus criou a mulher -
e, também, os sapatos, as bicicletas, os cães e os filhos... 

Deus criou o dia -
e, também, a noite, o cansaço, o desejo e as dores de coluna...

Deus criou o homem -
e, também, o casamento, as viagens, os vinhos e o amor...

E, então, Ele misturou tudo. 
E deixou a confusão reinar.

Naiana Carapeba (16/07/2013)

quinta-feira, 23 de maio de 2013

Desapego



Preciso fazer o meu caminho de Santiago particular:
Livramento.
Deletar da vida inconveniências, sejam emocionais ou não...

Preciso de uma vida sustentável:
Simples.
Apenas e essencialmente o que o coração puder carregar...

Naiana Carapeba (23/05/2013)

segunda-feira, 20 de maio de 2013

Exílio


As ondas me vomitaram de volta
memórias que tinham, em um destino insólito,
sido tragadas por seu oceano...

À beira da praia, meus pés permaneceram fincados -

seus nervos como fios desencapados submersos em argila.

No horizonte, meus olhos orbitaram à sua volta - 
o corpo como estrutura vergada e incapaz de se afastar.

Meu mar escuro,

como lama pastosa em solidão errática.
Meu céu enegrecido,
como sangue morto em lamentos mudos.

As ondas enormes engoliram novamente

memórias enxotadas sem piedade por seu oceano.


Naiana Carapeba (20/05/2013)

terça-feira, 30 de abril de 2013

Cora Coralina


"Desistir... Eu já pensei seriamente nisso, mas nunca me levei realmente a sério; é que tem mais chão nos meus olhos do que o cansaço nas minhas pernas, mais esperança nos meus passos, do que tristeza nos meus ombros, mais estrada no meu coração do que medo na minha cabeça."
(Cora Coralina)

domingo, 28 de abril de 2013

Eu receberia as piores notícias dos seus lindos lábios


"Sozinho, em minhas estradas, em minhas andanças,
encontrei-me com outra pessoa.
Encantei-me.
Apaixonei-me."

Ah! Explicaria tanta coisa,
receber as piores notícias dos seus lindos lábios...

Mas, o seu silêncio fala mais.
Como sempre.
Confirma as mais devastadoras suspeitas...

Naiana Carapeba (28/04/2013)


sexta-feira, 26 de abril de 2013

Alcatraz


That's all folks.
Estou fechada para balanço.

Naiana Carapeba (26/04/2013)

quarta-feira, 24 de abril de 2013

Espera


Uma cantiga monocórdica ecoa nos meus ouvidos.
Um lamento antigo ressoa sob os meus passos.

I'm sorry if I'm always the same old person...
With the same old habits,
the same old dreams,
and exactly the same reactions...

Uma cena se repete ininterruptamente na minha memória:
Nela, uma garota espera, imóvel, debaixo da neve que cai.
O frio que agarra a sua alma não vem de fora,
mas da certeza interna que a assombra - 
sua espera não terá fim.

Segue tocando a mesma canção no meu filme particular.
Sem fim. Sem fim. Sem fim.

Uma cantiga monocórdica ecoa nos meus ouvidos.
Um lamento antigo ressoa sob os meus passos.
E, por dentro, sinto-me congelar.

I'm sorry if I'm always the same old person...
With the same old habits,
with the same old dying dreams.

Why do I always follow the same patterns?

Naiana Carapeba (24/04/2013)

domingo, 21 de abril de 2013

Reclusão




As paredes por mim construídas não são apenas abrigo,
mas prisão.

Isolei-me em sonhos abandonados -

passos atrás, em venezianas fechadas...

O ar se levantou à minha volta,

girando meus pensamentos disformes.

Os lençóis pingaram as marcas de nós dois,

estampando nas janelas um amor sombrio e já gasto.

Ocultei-me em esconderijos inóspitos -

tempos atrás, em claustros imundos...


Naiana Carapeba (21/04/2013)

sexta-feira, 19 de abril de 2013

E agora?


Conteúdo. Continente.

Tudo de mim está aqui contido.
Meu vazio.
Ainda que eu me espalhe por todos os continentes.
Perdidos.


Naiana Carapeba (19/04/2013)

quarta-feira, 17 de abril de 2013

Oceano


A cada palavra escrita, pronuncio desentendimentos...
Ruídos denunciam uma comunicação que não acontece mais.

Somos ondas a quebrar impiedosamente.
Somos rochas sob o mar.

Tantas vezes nos encontramos.
Em meus sonhos.
Em nossas tardes. 
Mas não ficamos verdadeiramente frente a frente.

Os sentimentos estão submersos.
Sobre eles, apenas o movimento das águas escuras -
das nuvens a nos ameaçar.

E, mesmo nus, não estamos desarmados.
Há muitas fantasias sobre nossas peles.
Há muita vivência exalando de cada poro.

Não somos mais. Nós.
Fomos tragados pela imensidão ao nosso redor.
Somos mar e sal.
Somos sol e tempestade.
Perda...

E, em nosso mar, há apenas barcos sem vela.
Naus sem rumo.
Embarcações perdidas...
Minhas ondas não me levarão à sua volta.
Permaneceremos longe do continente.
Somente teremos repouso em nossas ausências.

Naiana Carapeba (17/04/2013)

O céu e seus sinais



O céu anuncia mais um encontro.
Atrás das nuvens, surge, como um sinal, um arco-íris apenas incipiente - 
fruto das chuvas fora de tom que perseguem meus caminhos. 

Recolhi seus retratos.
Apaguei seus rastros.
Nova identidade, nova vida se descortina à sua frente.

Não há mais espaço para nós.
"Vai ser melhor assim"- você me diz.
Um sorriso dança em seus lábios.
Os olhos, distantes.Mesmo ao meu lado, você não está mais aqui.

Um céu sem pipas esconde atrás de nuvens negras o nosso arco-íris.

Assisto à sua partida, sem esboçar qualquer movimento...
Por que este querer me consome, se você jamais ficará aqui?
Será que vai chover?


Naiana Carapeba (17/04/2013)

sexta-feira, 5 de abril de 2013

The vastest things are those we may not learn


"The vastest things are those we may not learn.
We are not taught to die, not to be born,
Nor how to burn with love.
How pitiful is our enforced return
To these small things we are the masters of."

(Mervyn Peake)

sábado, 16 de março de 2013

Bella Italia


Liguei o chuveiro,
queria um minuto para me recompor -
lavar as lágrimas que me dançavam nos olhos...

A saudade que eu deixara nos seus braços,
apenas a mim pertencia.
O desejo que me consumira na sua falta,
somente a mim queimava.
Estava tudo tão certo. 
Seu olhar mirava outros encontros.
O que lhe importava estava claro :
era preciso fazer chover. Já.
 
E, enquanto eu recolhia os meus pedaços pelo chão,
você, calmamente, pedia que eu arrumasse a toalha - 
cada um atento ao que mais lhe importava no momento. 

Um amor do outro lado do mundo não tem o apelo necessário para merecer o título.

Naiana Carapeba (16/03/2013)

sexta-feira, 15 de março de 2013

Chuva


Acordei e o céu tomado por nuvens enegrecidas
ditavam os meus caminhos.

O orvalhar na janela me trazia a visão do que me aguarda
pelos minutos que ainda me restam.

Um sorriso passou por trás de meus olhos
taciturnos.

Uma música me transportou para o outro lado do arco-íris.

Naiana Carapeba (15/03/2013)

segunda-feira, 25 de fevereiro de 2013

A lógica do tempo


Tudo passa.
Tudo, tudo.
Racionalmente - sei.
Emocionalmente - sofro.

Hoje seria o dia em que tudo iria retornar.
As estrelas apagadas em meu céu iriam retomar seu brilho.
Não mais escuridão.
Não mais caminhos sinuosos ou incertos.

Tudo passou, porém.
Tudo, tudo.
Não há porquês ou ansiedades.
O passado sepultou todas as preocupações.
E tudo que um dia foi apenas incógnita
transformou-se em exclamações e certezas imutáveis.

Espere.
E viva.
Espera.
Viva.

Não há razão para sofrer pelo inevitável.

Naiana Carapeba (25/02/2013)

quinta-feira, 21 de fevereiro de 2013

Piedade




Continuava a alimentá-la,
mantendo-a viva, apesar de decrépita.
Parecia movido pela piedade que se tem com um cão doente.
Ingeria suas vísceras,
marcando seu interior com garras de fogo.
Era um animal.
Uma besta raivosa e sem controle.

Enquanto isso, ela ainda sonhava:
E seu destino era um inocente pássaro azul,
revoltando-se no céu,
contra uma tempestade iminente e inevitável.

Vivia a crônica de uma morte já há muito anunciada...

Naiana Carapeba (21/02/2013)

Better man



Waitin', watchin' the clock, it's four o'clock, it's got to stop
Tell him, take no more, she practices her speech
As he opens the door, she rolls over
Pretends to sleep as he looks her over

She lies and says she's in love with him,
can't find a better man
She dreams in color, she dreams in red,
can't find a better man

Talkin' to herself, there's no one else who needs to know;
she tells herself
Oh
Memories back when she was bold and strong
And waiting for the world to come along
Swears she knew it, now she swears he's gone

She lies and says she's in love with him,
can't find a better man
She dreams in color, she dreams in red,
can't find a better man
She lies and says she still loves him,
can't find a better man
She dreams in color, she dreams in red,
can't find a better man

She loved him, yeah... she don't want to leave this way
She feeds him, yeah... that's why she'll be back again
Can't find a better man

Pearl Jam

segunda-feira, 18 de fevereiro de 2013

It's just business


Lentamente, escorrega-me a alma
fugidia, pela sola dos meus pés gelados -
paralíticos - consumidos no medo da sua ausência.

Iminente, a solidão se apodera dos meus pensamentos.
Vagam e evanescem os vestígios de nós dois -
dissipam-se à medida que surgem novas paisagens em seu horizonte.

Sob um céu límpido turquesa,
as correntes que jamais nos prenderam partem seus elos.
Suaves e frágeis tentáculos de uma hera primaveril -
meras lembranças que vagam num interminável solstício de inverno.

Lentamente, escorrega-me a alma
vazia, derretida a pingar de minhas orelhas -
surdas - incapazes de atender ao chamado de uma vida que continua, à minha revelia...

Naiana Carapeba (18/02/2013)

domingo, 17 de fevereiro de 2013

Reinado interrompido


Meu reinado interrompido
por uma guilhotina enferrujada a trabalhar.

Uma carruagem cruza a rua e se sacode, sem diplomacia -
os cascos dos cavalos que a puxam batem ritmados no chão de paralelepípedos.

Tochas iluminam as ruas imundas,
onde meu reinado queda inerte -
encerra-se uma dinastia sem glória ou descendência.

Os candelabros nas mãos dos insurretos
permitem-lhes insultar-me impiedosamente.
Dos seus lábios carmim escuto gritos - 
ordens estridentes emanadas de um rei posto.


Naiana Carapeba (17/02/2012)

quarta-feira, 13 de fevereiro de 2013

Sobre viver e calafrios


Lá fora o sol a arder.
Aqui, sem contraponto, minha cabeça queima.
Meu corpo percorrido em calafrios.

O sol a brilhar.
Cá dentro, porém, o dia é coberto em poeira.
Inconsciente, o ponteiro do relógio avança.

Sobreviver agora.
Chorar depois.

Tosse, tosse, tosse.

Sobreviver.
Sobre viver.
Viver...

Minha mente em devaneios:
Quando virá a chuva?


Naiana Carapeba (13/02/2012)

domingo, 3 de fevereiro de 2013

Elderly woman behind the counter in a small town


I seem to recognize your face
Haunting, familiar, yet I can't seem to place it
Cannot find the candle of thought to light your name
Lifetimes are catching up with me
All these changes taking place, I wish I'd seen the place
But no one's ever taken me
Hearts and thoughts they fade, fade away...

I swear I recognize your breath
Memories like fingerprints are slowly raising
Me, you wouldn't recall, for I'm not my former
It's hard when, your stuck upon the shelf
I changed by not changing at all, small town predicts my fate
Perhaps that's what no one wants to see
I just want to scream...hello...
My god its been so long, never dreamed you'd return
But now here you are, and here I am
Hearts and thoughts they fade...away...

Pearl Jam

quarta-feira, 30 de janeiro de 2013

Oitavo Andar





Quando eu te vi fechar a porta eu pensei em me atirar pela janela do 8º andar,
Onde a dona Maria mora, porque ela me adora e eu sempre posso entrar,
Era bem o tempo de você chegar no T olhar no espelho o seu cabelo, falar com o seu Zé,
E me ver caindo em cima de você como uma bigorna cai em cima de um cartoon qualquer.

E ai, só nos dois no chão frio,
De conchinha bem no meio fio,
No asfalto riscados de giz,
Imagina que cena feliz,

Quando os paramédicos chegassem e os bombeiros retirassem nossos corpos do Leblon,
A gente ia para o necrotério ficar brincando de sério deitadinhos no bem-bom.

Cada um feito um picolé,
Com a mesma etiqueta no pé,
Na autópsia daria pra ver,
Como eu só morri por você,

Quando eu te vi fechar a porta eu pensei em me atirar pela janela do 8° andar,
Invés disso eu dei meia volta e comi uma torta inteira de amora no jantar.

Clarice Falcão

Ecos


Ecos distorcidos se fazem escutar do outro lado da linha.
Poucas palavras permitem perceber que o distanciamento é muito maior do que todos os quilômetros que estão entre nós.

Ecos distorcem as imagens que você projeta,
alterando minha percepção dos seus sonhos.
Involuntariamente, vislumbro que a direção tomada por você é absolutamente inversa à minha presença.

Ecos.
Ecos.
Ecos.

E, então, o silêncio.

Estou só.

Naiana Carapeba (30/01/2013)

segunda-feira, 28 de janeiro de 2013

Fantasmas cadentes


Até quando fantasmas irão povoar minhas trilhas?
Até quando serei peregrina em uma terra de cadáveres lançados ao chão?

Atrás de mim quedam os corpos daqueles que me conheceram - 
paralisados e cegos.
Ao meu lado.
À minha volta.
Ao meu redor.

E tudo cessa.
Há apenas o silêncio e a certeza de que não haverá retorno.

Tudo cessa.
Solitárias, minhas mãos continuam a arranhar minha face e a rasgar os céus na busca de um pouco de paz.

Naiana Carapeba (28/01/2013)

sexta-feira, 25 de janeiro de 2013

Viva la Vida


I used to rule the world
Seas would rise when I gave the word
Now in the morning I sleep alone
Sweep the streets I used to own

I used to roll the dice
Feel the fear in my enemy's eyes
Listened as the crowd would sing
Now the old king is dead long live the king
One minute I held the key
Next the walls were closed on me
And I discovered that my castles stand
Upon pillars of salt and pillars of sand

I hear Jerusalem bells a-ringing
Roman cavalry choirs are singing
Be my mirror, my sword and shield
Missionaries in a foreign field
For some reason I can't explain
Once you'd gone there was never
Never an honest word
And that was when I ruled the world

It was a wicked and wild wind
Blew down the doors to let me in
Shattered windows and the sound of drums
People couldn't believe what I'd become
Revolutionaries wait
For my head on a silver plate
Just a puppet on a lonely string
Oh who would ever want to be king?

I hear Jerusalem bells a-ringing
Roman cavalry choirs are singing
Be my mirror, my sword and shield
My missionaries in a foreign field
For some reason I can't explain
I know St Peter won't call my name
Never an honest word
But that was when I ruled the world

Hear Jerusalem bells a-ringing
Roman cavalry choirs are singing
Be my mirror, my sword and shield
My missionaries in a foreign field
For some reason I can't explain
I know St Peter won't call my name
Never an honest word
But that was when I ruled the world

Cold Play

terça-feira, 22 de janeiro de 2013

Obama's Inauguration Speech


Vice President Biden, Mr. Chief Justice, Members of the United States Congress, distinguished guests, and fellow citizens:

Each time we gather to inaugurate a president, we bear witness to the enduring strength of our Constitution. We affirm the promise of our democracy. We recall that what binds this nation together is not the colors of our skin or the tenets of our faith or the origins of our names. What makes us exceptional – what makes us American – is our allegiance to an idea, articulated in a declaration made more than two centuries ago:

“We hold these truths to be self-evident, that all men are created equal, that they are endowed by their Creator with certain unalienable rights, that among these are Life, Liberty, and the pursuit of Happiness.”

Today we continue a never-ending journey, to bridge the meaning of those words with the realities of our time. For history tells us that while these truths may be self-evident, they have never been self-executing; that while freedom is a gift from God, it must be secured by His people here on Earth. The patriots of 1776 did not fight to replace the tyranny of a king with the privileges of a few or the rule of a mob. They gave to us a Republic, a government of, and by, and for the people, entrusting each generation to keep safe our founding creed.

For more than two hundred years, we have.

Through blood drawn by lash and blood drawn by sword, we learned that no union founded on the principles of liberty and equality could survive half-slave and half-free. We made ourselves anew, and vowed to move forward together.

Together, we determined that a modern economy requires railroads and highways to speed travel and commerce; schools and colleges to train our workers.

Together, we discovered that a free market only thrives when there are rules to ensure competition and fair play.

Together, we resolved that a great nation must care for the vulnerable, and protect its people from life’s worst hazards and misfortune.

Through it all, we have never relinquished our skepticism of central authority, nor have we succumbed to the fiction that all society’s ills can be cured through government alone. Our celebration of initiative and enterprise; our insistence on hard work and personal responsibility, these are constants in our character.

But we have always understood that when times change, so must we; that fidelity to our founding principles requires new responses to new challenges; that preserving our individual freedoms ultimately requires collective action. For the American people can no more meet the demands of today’s world by acting alone than American soldiers could have met the forces of fascism or communism with muskets and militias. No single person can train all the math and science teachers we’ll need to equip our children for the future, or build the roads and networks and research labs that will bring new jobs and businesses to our shores. Now, more than ever, we must do these things together, as one nation, and one people.

This generation of Americans has been tested by crises that steeled our resolve and proved our resilience. A decade of war is now ending. An economic recovery has begun. America’s possibilities are limitless, for we possess all the qualities that this world without boundaries demands: youth and drive; diversity and openness; an endless capacity for risk and a gift for reinvention. My fellow Americans, we are made for this moment, and we will seize it – so long as we seize it together.

For we, the people, understand that our country cannot succeed when a shrinking few do very well and a growing many barely make it. We believe that America’s prosperity must rest upon the broad shoulders of a rising middle class. We know that America thrives when every person can find independence and pride in their work; when the wages of honest labor liberate families from the brink of hardship. We are true to our creed when a little girl born into the bleakest poverty knows that she has the same chance to succeed as anybody else, because she is an American, she is free, and she is equal, not just in the eyes of God but also in our own.

We understand that outworn programs are inadequate to the needs of our time. We must harness new ideas and technology to remake our government, revamp our tax code, reform our schools, and empower our citizens with the skills they need to work harder, learn more, reach higher. But while the means will change, our purpose endures: a nation that rewards the effort and determination of every single American. That is what this moment requires. That is what will give real meaning to our creed.

We, the people, still believe that every citizen deserves a basic measure of security and dignity. We must make the hard choices to reduce the cost of health care and the size of our deficit. But we reject the belief that America must choose between caring for the generation that built this country and investing in the generation that will build its future. For we remember the lessons of our past, when twilight years were spent in poverty, and parents of a child with a disability had nowhere to turn.

We do not believe that in this country, freedom is reserved for the lucky, or happiness for the few. We recognize that no matter how responsibly we live our lives, any one of us, at any time, may face a job loss, or a sudden illness, or a home swept away in a terrible storm. The commitments we make to each other – through Medicare, and Medicaid, and Social Security – these things do not sap our initiative; they strengthen us. They do not make us a nation of takers; they free us to take the risks that make this country great.

We, the people, still believe that our obligations as Americans are not just to ourselves, but to all posterity. We will respond to the threat of climate change, knowing that the failure to do so would betray our children and future generations. Some may still deny the overwhelming judgment of science, but none can avoid the devastating impact of raging fires, and crippling drought, and more powerful storms. The path towards sustainable energy sources will be long and sometimes difficult. But America cannot resist this transition; we must lead it. We cannot cede to other nations the technology that will power new jobs and new industries – we must claim its promise. That’s how we will maintain our economic vitality and our national treasure – our forests and waterways; our croplands and snowcapped peaks. That is how we will preserve our planet, commanded to our care by God. That’s what will lend meaning to the creed our fathers once declared.

We, the people, still believe that enduring security and lasting peace do not require perpetual war. Our brave men and women in uniform, tempered by the flames of battle, are unmatched in skill and courage. Our citizens, seared by the memory of those we have lost, know too well the price that is paid for liberty. The knowledge of their sacrifice will keep us forever vigilant against those who would do us harm. But we are also heirs to those who won the peace and not just the war, who turned sworn enemies into the surest of friends, and we must carry those lessons into this time as well.

We will defend our people and uphold our values through strength of arms and rule of law. We will show the courage to try and resolve our differences with other nations peacefully – not because we are naïve about the dangers we face, but because engagement can more durably lift suspicion and fear. America will remain the anchor of strong alliances in every corner of the globe; and we will renew those institutions that extend our capacity to manage crisis abroad, for no one has a greater stake in a peaceful world than its most powerful nation. We will support democracy from Asia to Africa; from the Americas to the Middle East, because our interests and our conscience compel us to act on behalf of those who long for freedom. And we must be a source of hope to the poor, the sick, the marginalized, the victims of prejudice – not out of mere charity, but because peace in our time requires the constant advance of those principles that our common creed describes: tolerance and opportunity; human dignity and justice.

We, the people, declare today that the most evident of truths – that all of us are created equal – is the star that guides us still; just as it guided our forebears through Seneca Falls, and Selma, and Stonewall; just as it guided all those men and women, sung and unsung, who left footprints along this great Mall, to hear a preacher say that we cannot walk alone; to hear a King proclaim that our individual freedom is inextricably bound to the freedom of every soul on Earth.

It is now our generation’s task to carry on what those pioneers began. For our journey is not complete until our wives, our mothers, and daughters can earn a living equal to their efforts. Our journey is not complete until our gay brothers and sisters are treated like anyone else under the law – for if we are truly created equal, then surely the love we commit to one another must be equal as well. Our journey is not complete until no citizen is forced to wait for hours to exercise the right to vote. Our journey is not complete until we find a better way to welcome the striving, hopeful immigrants who still see America as a land of opportunity; until bright young students and engineers are enlisted in our workforce rather than expelled from our country. Our journey is not complete until all our children, from the streets of Detroit to the hills of Appalachia to the quiet lanes of Newtown, know that they are cared for, and cherished, and always safe from harm.

That is our generation’s task – to make these words, these rights, these values – of Life, and Liberty, and the Pursuit of Happiness – real for every American. Being true to our founding documents does not require us to agree on every contour of life; it does not mean we all define liberty in exactly the same way, or follow the same precise path to happiness. Progress does not compel us to settle centuries-long debates about the role of government for all time – but it does require us to act in our time.

For now decisions are upon us, and we cannot afford delay. We cannot mistake absolutism for principle, or substitute spectacle for politics, or treat name-calling as reasoned debate. We must act, we must act knowing that our work will be imperfect. We must act, knowing that today’s victories will be only partial, and that it will be up to those who stand here in four years, and forty years, and four hundred years hence to advance the timeless spirit once conferred to us in a spare Philadelphia hall.

My fellow Americans, the oath I have sworn before you today, like the one recited by others who serve in this Capitol, was an oath to God and country, not party or faction – and we must faithfully execute that pledge during the duration of our service. But the words I spoke today are not so different from the oath that is taken each time a soldier signs up for duty, or an immigrant realizes her dream. My oath is not so different from the pledge we all make to the flag that waves above and that fills our hearts with pride.

They are the words of citizens, and they represent our greatest hope.

You and I, as citizens, have the power to set this country’s course.

You and I, as citizens, have the obligation to shape the debates of our time – not only with the votes we cast, but with the voices we lift in defense of our most ancient values and enduring ideals.

Let each of us now embrace, with solemn duty and awesome joy, what is our lasting birthright. With common effort and common purpose, with passion and dedication, let us answer the call of history, and carry into an uncertain future that precious light of freedom.

Thank you, God Bless you, and may He forever bless these United States of America.

Os posts mais visitados