domingo, 22 de maio de 2016

Mortalha



Andando em suas curvas, 
Sigo, sem equilíbrio, tropeçando a cada passo...
Nada há à minha frente.
Apenas um abismo a me chamar,
um eco a me repetir.

Meus olhos cegos fecham-se para tudo em volta.
Minhas mãos encolhidas.
Meus gritos mudos.

Suas mãos frias me guiam os passos,
sua voz surda me embala numa cantiga gótica.
Eu sigo em sua direção
e adentro sua catedral, em hipnótica adoração.

Lanço-me a seus pés
e você me acolhe em suas garras.
Seu bafo gélido cala meus soluços,
sua escuridão apaga meus pesadelos.
Você me envolve inteiramente em sua mortalha...
E eu fico quieta em seu abraço.


Naiana Carapeba
(22/05/2016)

segunda-feira, 7 de março de 2016

Monólogos


A cabeça pesava com tantos pensamentos que morriam dentro de si.
A língua, outrora afiada, amargava solidão e palavras engolidas.
Água. Água a se acumular dentro de si.
Sentia formar uma tempestade de sentimentos disformes.
Um turbilhão de atos contidos.

Em que momento aconteceu esta metamorfose?
Em que momento se transformara em atriz, presa a este monólogo mudo?
A vida cheia de automatismos.
A vida sem percussão.
A vida quieta num canto.
E o copo d'água sobre a mesa.

Naiana Carapeba
07 de março de 2016

terça-feira, 19 de janeiro de 2016

Cais


A neblina turva a visão que eu poderia ter da outra margem.
Abraço-me à minha solidão.
Paro em um cais que não leva a nenhum lugar:
apenas se posta diante de mim.
Imóvel. Inerte.
Pontes ceifadas que não servem para nenhuma finalidade. Nenhuma. Nenhuma.
As águas frias passam por mim,
num contínuo movimento que meus olhos não percebem.
Não sinto nada. Não sinto nada.

A minha tarde é repleta de solidão.
E de cais.

Naiana Carapeba
(19/01/2016)

quarta-feira, 13 de janeiro de 2016

Izaura


Irmãs de alma,
irmãs de calma.
Encontramo-nos nos primeiros degraus de nossa adultice.
Galgando espaço. 
Suando bicas.
Fez-me companhia na penúria.
Fez-se cobertura e proteção.
Ergueu-me acima de seus próprios ombros, 
para que eu pudesse mirar longe...

Irmãs de fúria,
irmãs de injúria.
Acolheu-me no desespero.
Ouviu meus suspiros.
E o meu cansaço.
Escutou absurdos, por mim...
Colocou-me no colo.
Deu-me silêncio.
Deu-me sermão.
Deu-se. A mim.

Irmãs de maternidade.
Cada uma a embalar seu rebento.
Juntas.
Equilibrou-me, em nossos tropeços.
Deu-me sorrisos.
Deu-me seus filhos, como meus.
E recebeu os meus, como seus.

Irmãs de mochila, nas costas.
Juntas andamos pelo mundo...
Nas fotos. Nos cartões postais.
Irmãs de sonho.
De um futuro sempre presente.
Irmãs de vida.

Naiana Carapeba
(13 de Janeiro de 2016)

terça-feira, 29 de dezembro de 2015

Passeio à beira-mar


Passeei à beira de seu porto -
Salgado. Parado. Morto.
Meus dedos a desenhar praias e enseadas -
Como você me desenhava...

Passei à beira de seu mar.
As águas pequenas, mal me fustigavam as pernas.
Nossa história apagada por suas ondas, suas ondas, suas ondas...

Mal restavam traços atrás dos meus pés.
Pegadas incertas. Pegadas sofridas. Pegadas sem soldo.

Das minhas mãos pingava sal.
Das minhas costas restavam sombras.
Das minhas pernas sacudia-se areia.

Meu filho grande.
Meu filho pequeno.
E o mar.

Naiana Carapeba
(30/12/2015)


segunda-feira, 11 de maio de 2015

A queda




Acreditei verdadeiro,
doei alma,
tremi desejo,
salguei entranhas.
Esperando você.

Uma música tocava na vitrola...
E seu corpo pesou, imenso, em mim.
Consumação...
Janela afora, caía uma chuva calada -
tal qual minha ingenuidade cadente.

Passeei por você.
Seus ombros.
Seu retrato.
Seus atos.

Sobre a mesa, a passagem comprada, seus sonhos espalhados.
Oportunidades se descortinavam em folhas acartonadas.
Mas, eu não estava ali.
Nada me fazia presente.

Eu não fui. Eu era ninguém. Ninguém.

Com a sua queda, esquecida e fria, segui seus rastros.
Estourei as bolhas da sua champagne no céu da minha boca.
Com a sua partida, nada. 
Nada. Nada. Nada.
Seu eco me chamava.
Vivi você no silêncio da sua morada vazia.
Sua ausência me queimou os dedos.
As paredes nuas. Feias.
E senti novamente a queda.
Você a desertar o meu corpo, 
seu silêncio cru nos meus ouvidos,
chamando sem parar...

Esperei você.
Fugido, horrorizado.
Fustigado.
Você só.
Caído.

Mas, novamente, o nada.

Agora, muros separatistas o aguardam.
Embora caídos, sua presença ainda impera.
E ajudarão a escrever nova história.
Novos. Novas. Novidades...
Novas quedas?

Eu. Só.
Eu. Sem.
Eu. Estanque.
Sem salgar minha carne.
Sem revelar minha história.
Sem sossegar minha pena.

Esperando você.

Naiana Carapeba 
(11 de maio de 2015)

segunda-feira, 30 de março de 2015

Beaten path



A Beaten Path


A beaten path —

that’s what she is.


In her world, the roads don’t lead to Rome…

they lead to her.

That’s for sure.


Her dog running toward her while she jogs tells her so.

Her kids googling her in awkward moments tells her so.

His hands reaching for her without warning in the middle of the night tell her so.


Will that ever come to an end?

Will it?


And when it finally does,

will she miss being the beaten path?


When she finally lives by the sea —

where the cold waves lick her legs,

where she lets herself sink into the salty water —

will it feel good?

Or will it be just another warning of a different kind of assault —

a reminder to keep being a beaten path,

only in another way?


Will the end ever come?


There has been no warning.

No signs beforehand.

Not for her.


She has always been so busy walking,

making their path smoother, more pleasant.

She has always been so busy thinking about them.


She didn’t read the new wrinkles as signs of anything —

not as some quiet attack,

not as life growing too tired to keep walking beside her.


Her path was no longer a beaten one…


Will death ever bring an end?

Will solitude be her ending?


Or will she keep appearing on every other beaten path,

on every path they will ever take?


Will she turn herself into a sandy beach?

Sun and glory,

water and sadness.


Will the sound of silence ever feel less frightening

than that madness of loud voices?


Will there ever be peace?


Will she finally pay that bill?

Will she give them that enormous sum

that would take all that misery away —

away from her?


All those begging hands…

Away.


Will she ever fly away?

Will she?


She will no longer be

a beaten path.


Naiana Carapeba
(30/03/2015)

quarta-feira, 18 de março de 2015

Rainha de Copas




A Rainha de Copas paira magnânima sobre seus súditos.
Controla suas vidas.
Seus suspiros.
Suas insignificâncias...

A Rainha de Copas paira sobre todas as vontades.
Faz-se única.
Onipresente.
Onisciente.
Imperatriz...

A Rainha de Copas amargura-se com pequenas contrariedades.
E, sombria, brande sua espada.
Irracional, faz rolar cabeças.
Insatisfeita, espreme os corações que lhe ofertam...

Dos seus súditos espera respeito.
Adoração.
Idolatria.
E medo...

A Rainha de Copas, 
embora tão respeitada,
conquanto tão adorada,
nada obstante tão idolatrada,
apesar de tão temida...
... vai morrer só.


Naiana Carapeba
(18 de março de 2015)

quarta-feira, 31 de dezembro de 2014

Você




Antes de tudo.
Do amor. Das paixões. Do trabalho.
Antes de tudo.
Você. Você vem antes de tudo.
E durante. E depois.
E continua vindo. 
Você...

Quando eu fecho os olhos.
Meu primeiro sonho é com você.
E o primeiro pesadelo também.
Porque você vem antes de tudo.
Você. Você vem antes de tudo.
Você...

As ondas me trazem você.
E o seu sal me impregna a pele.
E minhas narinas queimam.
Com o cheiro de você.

O vento me traz você.
E todos os seus vestígios dançam.
E eles bailam em torno de mim como folhas soltas. 
Como você.

A chuva me traz você.
E a sua água me banha o rosto.
E o meu corpo inteiro é inundado.
Com as lágrimas que caem do céu.
Eu, inundada de você.

O sol me traz você.
E seus raios me queimam as costas.
Como cordas a açoitarem meu corpo.
A marcar-me de você.

Você.

Antes de tudo.
Do amor. Das paixões. Do trabalho.
Antes de tudo.
Você. Você vem antes de tudo.
E durante. E depois.
E continua vindo. 
Você...

Naiana Carapeba (31/12/2014)

sexta-feira, 28 de novembro de 2014

Take This Waltz



Take This Waltz


Some quotes from this movie that I just saw:

Margot: I want to know what you'd do to me.
Daniel: Wow.
Margot: I just said that.
Daniel: You just said that.

... I just kissed the top of your head ever so gently.
Margot: You did.
Daniel: Yes, and then I kissed your eyelids and they fluttered underneath my lips just a little.
Margot: A little.
Daniel: And very very slowly I just grazed your lips with mine, but because you're married I didn't dare kiss them.
Margot: No.
Daniel: No, instead I worked my way slowly down your neck and I kissed every inch of it and I lingered over your birth mark on your left shoulder, ya that one, and I smelled you. I really inhaled and I smelled you.
Margot: What do I smell like?
Daniel: You smell like you do. The way you smell like you did on the plane, the way you do rite now, a mixture of sweetness and fuck.
Margot: Hmm.
Daniel: And I kissed your breasts and I licked your nipples and I stayed there for about an hour and I was gentle at first but I found out how that worked, and you weren't all that interested in me being gentle. And then I thought to myself I need to find out how she works, how every part of her works. And I spent about a  week and a half with your body and I began to learn it and know it, every detail of it. I played with you before I entered you, before I spread your legs and fucked you hard. I fucked you harder then I wanted to but I couldn't help myself. And I pulled your hair gently while I rocked inside you. I fucked your mouth and every part of you until we were so intensely fevered that we couldn't see straight anymore. And i filled you with my cum and I told you again and again I love you. I love you.



Wow! So f@%*& interesting movie!!!


Naiana Carapeba
(28/11/2014)

sábado, 14 de dezembro de 2013

Sobre chapéus, coelhos e ossos


Em meus sonhos, sou um chapeleiro maluco.
Acrobata, a lançar aos ares coelhos esquálidos, já mortos.
Meu show carece de pirotecnia, de outros efeitos especiais.
Tão simples. Tão mundano.

Equilibro-me dentre tantas demandas.
E, vejo, ao longe, meu destino glorioso a se afastar.
As rodas do meu fado giram, descontroladas -
não há mãos a guiar sua trajetória.
Errante, sigo minhas escolhas desconexas.

Gélidos, dois outros roedores sucumbem -
quedam, inertes, na minha cartola.
Observo seus cadáveres diminutos.
Seus corpos macilentos e sem vida -
sem graça nenhuma.

São apenas ossos se acumulando,
preenchendo minha capela particular,
em espera pelos que ainda virão…

Naiana Carapeba (14/12/2013)

quinta-feira, 14 de novembro de 2013

Charles Chaplin


"Falar sem aspas,
amar sem interrogação,
sonhar com reticências,
viver sem ponto final."
(Charles Chaplin)

terça-feira, 24 de setembro de 2013

Silêncio


Há muito deixei o silêncio crescer...
... ocupar o espaço que era seu.

Costurei meus lábios.
Forcei-os a se fechar.
A calar.

Há muito deixei o silêncio crescer...
... ele, agora, sou eu.

Naiana Carapeba (24/09/2013)

quinta-feira, 19 de setembro de 2013

About life



Enjoy your life.
After all, it's just a ride.

Naiana Carapeba (19/09/2013)

segunda-feira, 16 de setembro de 2013

Shhhhh....



Calar.
Preciso aprender a calar.
Fazer reinar o silêncio em minha alma.
Fazer surgir a calma em minha mente.

Calar.
Preciso aprender a calar.
Fazer as mãos trabalharem,
enquanto o coração silencia seus batimentos inoportunos.

Calar...

Naiana Carapeba (16/09/2013)

terça-feira, 3 de setembro de 2013

Prioridades



O que faz você feliz?
Viva. Viva. Viva.
Mas nunca, jamais, em tempo algum, inverta suas prioridades...

Naiana Carapeba (03/09/2013)

quarta-feira, 31 de julho de 2013

Escolhas


Era fácil compreender as escolhas que ele tinha feito -
embora todas elas estivessem erradas.

Olhou para ela, com uma sombra nos olhos: 
"Apesar dos seus problemas, você ainda é bonita".
Seu corpo transbordava desejo.

Ele assassinava o quanto de sentimento ainda havia nela.
Apunhalava suas lembranças, tornando sujos os momentos que partilharam.

Desnudava-se, impaciente.
Tinha pressa em se satisfazer.

Melancolicamente, ela percebia que sua falta de tato era proporcional à certeza que ele tinha de a possuir, completamente.
Então, ele não mais perdia tempo com detalhes, com mentiras, com engodos.
Estava ali. Era o quanto bastava.
... Ou não?

Não.  Não era o bastante. Não para ela.

Então, ela se cobriu - era inteiramente pudor.
Negou-se.
Cerrou-se, gélida.

Era fácil compreender as escolhas que ele tinha feito -
embora todas elas estivessem erradas.

Ela só não precisava mais partilhar disso.


Naiana Carapeba (31/07/2013)

terça-feira, 16 de julho de 2013

Gênesis


Deus criou a mulher -
e, também, os sapatos, as bicicletas, os cães e os filhos... 

Deus criou o dia -
e, também, a noite, o cansaço, o desejo e as dores de coluna...

Deus criou o homem -
e, também, o casamento, as viagens, os vinhos e o amor...

E, então, Ele misturou tudo. 
E deixou a confusão reinar.

Naiana Carapeba (16/07/2013)

quinta-feira, 23 de maio de 2013

Desapego



Preciso fazer o meu caminho de Santiago particular:
Livramento.
Deletar da vida inconveniências, sejam emocionais ou não...

Preciso de uma vida sustentável:
Simples.
Apenas e essencialmente o que o coração puder carregar...

Naiana Carapeba (23/05/2013)

segunda-feira, 20 de maio de 2013

Exílio


As ondas me vomitaram de volta
memórias que tinham, em um destino insólito,
sido tragadas por seu oceano...

À beira da praia, meus pés permaneceram fincados -

seus nervos como fios desencapados submersos em argila.

No horizonte, meus olhos orbitaram à sua volta - 
o corpo como estrutura vergada e incapaz de se afastar.

Meu mar escuro,

como lama pastosa em solidão errática.
Meu céu enegrecido,
como sangue morto em lamentos mudos.

As ondas enormes engoliram novamente

memórias enxotadas sem piedade por seu oceano.


Naiana Carapeba (20/05/2013)

terça-feira, 30 de abril de 2013

Cora Coralina


"Desistir... Eu já pensei seriamente nisso, mas nunca me levei realmente a sério; é que tem mais chão nos meus olhos do que o cansaço nas minhas pernas, mais esperança nos meus passos, do que tristeza nos meus ombros, mais estrada no meu coração do que medo na minha cabeça."
(Cora Coralina)

domingo, 28 de abril de 2013

Eu receberia as piores notícias dos seus lindos lábios


"Sozinho, em minhas estradas, em minhas andanças,
encontrei-me com outra pessoa.
Encantei-me.
Apaixonei-me."

Ah! Explicaria tanta coisa,
receber as piores notícias dos seus lindos lábios...

Mas, o seu silêncio fala mais.
Como sempre.
Confirma as mais devastadoras suspeitas...

Naiana Carapeba (28/04/2013)


sexta-feira, 26 de abril de 2013

Alcatraz


That's all folks.
Estou fechada para balanço.

Naiana Carapeba (26/04/2013)

quarta-feira, 24 de abril de 2013

Espera


Uma cantiga monocórdica ecoa nos meus ouvidos.
Um lamento antigo ressoa sob os meus passos.

I'm sorry if I'm always the same old person...
With the same old habits,
the same old dreams,
and exactly the same reactions...

Uma cena se repete ininterruptamente na minha memória:
Nela, uma garota espera, imóvel, debaixo da neve que cai.
O frio que agarra a sua alma não vem de fora,
mas da certeza interna que a assombra - 
sua espera não terá fim.

Segue tocando a mesma canção no meu filme particular.
Sem fim. Sem fim. Sem fim.

Uma cantiga monocórdica ecoa nos meus ouvidos.
Um lamento antigo ressoa sob os meus passos.
E, por dentro, sinto-me congelar.

I'm sorry if I'm always the same old person...
With the same old habits,
with the same old dying dreams.

Why do I always follow the same patterns?

Naiana Carapeba (24/04/2013)

domingo, 21 de abril de 2013

Reclusão




As paredes por mim construídas não são apenas abrigo,
mas prisão.

Isolei-me em sonhos abandonados -

passos atrás, em venezianas fechadas...

O ar se levantou à minha volta,

girando meus pensamentos disformes.

Os lençóis pingaram as marcas de nós dois,

estampando nas janelas um amor sombrio e já gasto.

Ocultei-me em esconderijos inóspitos -

tempos atrás, em claustros imundos...


Naiana Carapeba (21/04/2013)

sexta-feira, 19 de abril de 2013

E agora?


Conteúdo. Continente.

Tudo de mim está aqui contido.
Meu vazio.
Ainda que eu me espalhe por todos os continentes.
Perdidos.


Naiana Carapeba (19/04/2013)

quarta-feira, 17 de abril de 2013

Oceano


A cada palavra escrita, pronuncio desentendimentos...
Ruídos denunciam uma comunicação que não acontece mais.

Somos ondas a quebrar impiedosamente.
Somos rochas sob o mar.

Tantas vezes nos encontramos.
Em meus sonhos.
Em nossas tardes. 
Mas não ficamos verdadeiramente frente a frente.

Os sentimentos estão submersos.
Sobre eles, apenas o movimento das águas escuras -
das nuvens a nos ameaçar.

E, mesmo nus, não estamos desarmados.
Há muitas fantasias sobre nossas peles.
Há muita vivência exalando de cada poro.

Não somos mais. Nós.
Fomos tragados pela imensidão ao nosso redor.
Somos mar e sal.
Somos sol e tempestade.
Perda...

E, em nosso mar, há apenas barcos sem vela.
Naus sem rumo.
Embarcações perdidas...
Minhas ondas não me levarão à sua volta.
Permaneceremos longe do continente.
Somente teremos repouso em nossas ausências.

Naiana Carapeba (17/04/2013)

O céu e seus sinais



O céu anuncia mais um encontro.
Atrás das nuvens, surge, como um sinal, um arco-íris apenas incipiente - 
fruto das chuvas fora de tom que perseguem meus caminhos. 

Recolhi seus retratos.
Apaguei seus rastros.
Nova identidade, nova vida se descortina à sua frente.

Não há mais espaço para nós.
"Vai ser melhor assim"- você me diz.
Um sorriso dança em seus lábios.
Os olhos, distantes.Mesmo ao meu lado, você não está mais aqui.

Um céu sem pipas esconde atrás de nuvens negras o nosso arco-íris.

Assisto à sua partida, sem esboçar qualquer movimento...
Por que este querer me consome, se você jamais ficará aqui?
Será que vai chover?


Naiana Carapeba (17/04/2013)

sexta-feira, 5 de abril de 2013

The vastest things are those we may not learn


"The vastest things are those we may not learn.
We are not taught to die, not to be born,
Nor how to burn with love.
How pitiful is our enforced return
To these small things we are the masters of."

(Mervyn Peake)

quinta-feira, 4 de abril de 2013

sábado, 16 de março de 2013

Bella Italia


Liguei o chuveiro,
queria um minuto para me recompor -
lavar as lágrimas que me dançavam nos olhos...

A saudade que eu deixara nos seus braços,
apenas a mim pertencia.
O desejo que me consumira na sua falta,
somente a mim queimava.
Estava tudo tão certo. 
Seu olhar mirava outros encontros.
O que lhe importava estava claro :
era preciso fazer chover. Já.
 
E, enquanto eu recolhia os meus pedaços pelo chão,
você, calmamente, pedia que eu arrumasse a toalha - 
cada um atento ao que mais lhe importava no momento. 

Um amor do outro lado do mundo não tem o apelo necessário para merecer o título.

Naiana Carapeba (16/03/2013)

Os posts mais visitados