quarta-feira, 31 de dezembro de 2014

Você




Antes de tudo.
Do amor. Das paixões. Do trabalho.
Antes de tudo.
Você. Você vem antes de tudo.
E durante. E depois.
E continua vindo. 
Você...

Quando eu fecho os olhos.
Meu primeiro sonho é com você.
E o primeiro pesadelo também.
Porque você vem antes de tudo.
Você. Você vem antes de tudo.
Você...

As ondas me trazem você.
E o seu sal me impregna a pele.
E minhas narinas queimam.
Com o cheiro de você.

O vento me traz você.
E todos os seus vestígios dançam.
E eles bailam em torno de mim como folhas soltas. 
Como você.

A chuva me traz você.
E a sua água me banha o rosto.
E o meu corpo inteiro é inundado.
Com as lágrimas que caem do céu.
Eu, inundada de você.

O sol me traz você.
E seus raios me queimam as costas.
Como cordas a açoitarem meu corpo.
A marcar-me de você.

Você.

Antes de tudo.
Do amor. Das paixões. Do trabalho.
Antes de tudo.
Você. Você vem antes de tudo.
E durante. E depois.
E continua vindo. 
Você...

Naiana Carapeba (31/12/2014)

sexta-feira, 28 de novembro de 2014

Take This Waltz



Take This Waltz


Some quotes from this movie that I just saw:

Margot: I want to know what you'd do to me.
Daniel: Wow.
Margot: I just said that.
Daniel: You just said that.

... I just kissed the top of your head ever so gently.
Margot: You did.
Daniel: Yes, and then I kissed your eyelids and they fluttered underneath my lips just a little.
Margot: A little.
Daniel: And very very slowly I just grazed your lips with mine, but because you're married I didn't dare kiss them.
Margot: No.
Daniel: No, instead I worked my way slowly down your neck and I kissed every inch of it and I lingered over your birth mark on your left shoulder, ya that one, and I smelled you. I really inhaled and I smelled you.
Margot: What do I smell like?
Daniel: You smell like you do. The way you smell like you did on the plane, the way you do rite now, a mixture of sweetness and fuck.
Margot: Hmm.
Daniel: And I kissed your breasts and I licked your nipples and I stayed there for about an hour and I was gentle at first but I found out how that worked, and you weren't all that interested in me being gentle. And then I thought to myself I need to find out how she works, how every part of her works. And I spent about a  week and a half with your body and I began to learn it and know it, every detail of it. I played with you before I entered you, before I spread your legs and fucked you hard. I fucked you harder then I wanted to but I couldn't help myself. And I pulled your hair gently while I rocked inside you. I fucked your mouth and every part of you until we were so intensely fevered that we couldn't see straight anymore. And i filled you with my cum and I told you again and again I love you. I love you.



Wow! So f@%*& interesting movie!!!


Naiana Carapeba
(28/11/2014)

sábado, 14 de dezembro de 2013

Sobre chapéus, coelhos e ossos


Em meus sonhos, sou um chapeleiro maluco.
Acrobata, a lançar aos ares coelhos esquálidos, já mortos.
Meu show carece de pirotecnia, de outros efeitos especiais.
Tão simples. Tão mundano.

Equilibro-me dentre tantas demandas.
E, vejo, ao longe, meu destino glorioso a se afastar.
As rodas do meu fado giram, descontroladas -
não há mãos a guiar sua trajetória.
Errante, sigo minhas escolhas desconexas.

Gélidos, dois outros roedores sucumbem -
quedam, inertes, na minha cartola.
Observo seus cadáveres diminutos.
Seus corpos macilentos e sem vida -
sem graça nenhuma.

São apenas ossos se acumulando,
preenchendo minha capela particular,
em espera pelos que ainda virão…

Naiana Carapeba (14/12/2013)

quinta-feira, 14 de novembro de 2013

Charles Chaplin


"Falar sem aspas,
amar sem interrogação,
sonhar com reticências,
viver sem ponto final."
(Charles Chaplin)

terça-feira, 24 de setembro de 2013

Silêncio


Há muito deixei o silêncio crescer...
... ocupar o espaço que era seu.

Costurei meus lábios.
Forcei-os a se fechar.
A calar.

Há muito deixei o silêncio crescer...
... ele, agora, sou eu.

Naiana Carapeba (24/09/2013)

quinta-feira, 19 de setembro de 2013

About life



Enjoy your life.
After all, it's just a ride.

Naiana Carapeba (19/09/2013)

segunda-feira, 16 de setembro de 2013

Shhhhh....



Calar.
Preciso aprender a calar.
Fazer reinar o silêncio em minha alma.
Fazer surgir a calma em minha mente.

Calar.
Preciso aprender a calar.
Fazer as mãos trabalharem,
enquanto o coração silencia seus batimentos inoportunos.

Calar...

Naiana Carapeba (16/09/2013)

terça-feira, 3 de setembro de 2013

Prioridades



O que faz você feliz?
Viva. Viva. Viva.
Mas nunca, jamais, em tempo algum, inverta suas prioridades...

Naiana Carapeba (03/09/2013)

quarta-feira, 31 de julho de 2013

Escolhas


Era fácil compreender as escolhas que ele tinha feito -
embora todas elas estivessem erradas.

Olhou para ela, com uma sombra nos olhos: 
"Apesar dos seus problemas, você ainda é bonita".
Seu corpo transbordava desejo.

Ele assassinava o quanto de sentimento ainda havia nela.
Apunhalava suas lembranças, tornando sujos os momentos que partilharam.

Desnudava-se, impaciente.
Tinha pressa em se satisfazer.

Melancolicamente, ela percebia que sua falta de tato era proporcional à certeza que ele tinha de a possuir, completamente.
Então, ele não mais perdia tempo com detalhes, com mentiras, com engodos.
Estava ali. Era o quanto bastava.
... Ou não?

Não.  Não era o bastante. Não para ela.

Então, ela se cobriu - era inteiramente pudor.
Negou-se.
Cerrou-se, gélida.

Era fácil compreender as escolhas que ele tinha feito -
embora todas elas estivessem erradas.

Ela só não precisava mais partilhar disso.


Naiana Carapeba (31/07/2013)

terça-feira, 16 de julho de 2013

Gênesis


Deus criou a mulher -
e, também, os sapatos, as bicicletas, os cães e os filhos... 

Deus criou o dia -
e, também, a noite, o cansaço, o desejo e as dores de coluna...

Deus criou o homem -
e, também, o casamento, as viagens, os vinhos e o amor...

E, então, Ele misturou tudo. 
E deixou a confusão reinar.

Naiana Carapeba (16/07/2013)

quinta-feira, 23 de maio de 2013

Desapego



Preciso fazer o meu caminho de Santiago particular:
Livramento.
Deletar da vida inconveniências, sejam emocionais ou não...

Preciso de uma vida sustentável:
Simples.
Apenas e essencialmente o que o coração puder carregar...

Naiana Carapeba (23/05/2013)

segunda-feira, 20 de maio de 2013

Exílio


As ondas me vomitaram de volta
memórias que tinham, em um destino insólito,
sido tragadas por seu oceano...

À beira da praia, meus pés permaneceram fincados -

seus nervos como fios desencapados submersos em argila.

No horizonte, meus olhos orbitaram à sua volta - 
o corpo como estrutura vergada e incapaz de se afastar.

Meu mar escuro,

como lama pastosa em solidão errática.
Meu céu enegrecido,
como sangue morto em lamentos mudos.

As ondas enormes engoliram novamente

memórias enxotadas sem piedade por seu oceano.


Naiana Carapeba (20/05/2013)

terça-feira, 30 de abril de 2013

Cora Coralina


"Desistir... Eu já pensei seriamente nisso, mas nunca me levei realmente a sério; é que tem mais chão nos meus olhos do que o cansaço nas minhas pernas, mais esperança nos meus passos, do que tristeza nos meus ombros, mais estrada no meu coração do que medo na minha cabeça."
(Cora Coralina)

domingo, 28 de abril de 2013

Eu receberia as piores notícias dos seus lindos lábios


"Sozinho, em minhas estradas, em minhas andanças,
encontrei-me com outra pessoa.
Encantei-me.
Apaixonei-me."

Ah! Explicaria tanta coisa,
receber as piores notícias dos seus lindos lábios...

Mas, o seu silêncio fala mais.
Como sempre.
Confirma as mais devastadoras suspeitas...

Naiana Carapeba (28/04/2013)


sexta-feira, 26 de abril de 2013

Alcatraz


That's all folks.
Estou fechada para balanço.

Naiana Carapeba (26/04/2013)

quarta-feira, 24 de abril de 2013

Espera


Uma cantiga monocórdica ecoa nos meus ouvidos.
Um lamento antigo ressoa sob os meus passos.

I'm sorry if I'm always the same old person...
With the same old habits,
the same old dreams,
and exactly the same reactions...

Uma cena se repete ininterruptamente na minha memória:
Nela, uma garota espera, imóvel, debaixo da neve que cai.
O frio que agarra a sua alma não vem de fora,
mas da certeza interna que a assombra - 
sua espera não terá fim.

Segue tocando a mesma canção no meu filme particular.
Sem fim. Sem fim. Sem fim.

Uma cantiga monocórdica ecoa nos meus ouvidos.
Um lamento antigo ressoa sob os meus passos.
E, por dentro, sinto-me congelar.

I'm sorry if I'm always the same old person...
With the same old habits,
with the same old dying dreams.

Why do I always follow the same patterns?

Naiana Carapeba (24/04/2013)

domingo, 21 de abril de 2013

Reclusão




As paredes por mim construídas não são apenas abrigo,
mas prisão.

Isolei-me em sonhos abandonados -

passos atrás, em venezianas fechadas...

O ar se levantou à minha volta,

girando meus pensamentos disformes.

Os lençóis pingaram as marcas de nós dois,

estampando nas janelas um amor sombrio e já gasto.

Ocultei-me em esconderijos inóspitos -

tempos atrás, em claustros imundos...


Naiana Carapeba (21/04/2013)

sexta-feira, 19 de abril de 2013

E agora?


Conteúdo. Continente.

Tudo de mim está aqui contido.
Meu vazio.
Ainda que eu me espalhe por todos os continentes.
Perdidos.


Naiana Carapeba (19/04/2013)

quarta-feira, 17 de abril de 2013

Oceano


A cada palavra escrita, pronuncio desentendimentos...
Ruídos denunciam uma comunicação que não acontece mais.

Somos ondas a quebrar impiedosamente.
Somos rochas sob o mar.

Tantas vezes nos encontramos.
Em meus sonhos.
Em nossas tardes. 
Mas não ficamos verdadeiramente frente a frente.

Os sentimentos estão submersos.
Sobre eles, apenas o movimento das águas escuras -
das nuvens a nos ameaçar.

E, mesmo nus, não estamos desarmados.
Há muitas fantasias sobre nossas peles.
Há muita vivência exalando de cada poro.

Não somos mais. Nós.
Fomos tragados pela imensidão ao nosso redor.
Somos mar e sal.
Somos sol e tempestade.
Perda...

E, em nosso mar, há apenas barcos sem vela.
Naus sem rumo.
Embarcações perdidas...
Minhas ondas não me levarão à sua volta.
Permaneceremos longe do continente.
Somente teremos repouso em nossas ausências.

Naiana Carapeba (17/04/2013)

O céu e seus sinais



O céu anuncia mais um encontro.
Atrás das nuvens, surge, como um sinal, um arco-íris apenas incipiente - 
fruto das chuvas fora de tom que perseguem meus caminhos. 

Recolhi seus retratos.
Apaguei seus rastros.
Nova identidade, nova vida se descortina à sua frente.

Não há mais espaço para nós.
"Vai ser melhor assim"- você me diz.
Um sorriso dança em seus lábios.
Os olhos, distantes.Mesmo ao meu lado, você não está mais aqui.

Um céu sem pipas esconde atrás de nuvens negras o nosso arco-íris.

Assisto à sua partida, sem esboçar qualquer movimento...
Por que este querer me consome, se você jamais ficará aqui?
Será que vai chover?


Naiana Carapeba (17/04/2013)

sexta-feira, 5 de abril de 2013

The vastest things are those we may not learn


"The vastest things are those we may not learn.
We are not taught to die, not to be born,
Nor how to burn with love.
How pitiful is our enforced return
To these small things we are the masters of."

(Mervyn Peake)

quinta-feira, 4 de abril de 2013

sábado, 16 de março de 2013

Bella Italia


Liguei o chuveiro,
queria um minuto para me recompor -
lavar as lágrimas que me dançavam nos olhos...

A saudade que eu deixara nos seus braços,
apenas a mim pertencia.
O desejo que me consumira na sua falta,
somente a mim queimava.
Estava tudo tão certo. 
Seu olhar mirava outros encontros.
O que lhe importava estava claro :
era preciso fazer chover. Já.
 
E, enquanto eu recolhia os meus pedaços pelo chão,
você, calmamente, pedia que eu arrumasse a toalha - 
cada um atento ao que mais lhe importava no momento. 

Um amor do outro lado do mundo não tem o apelo necessário para merecer o título.

Naiana Carapeba (16/03/2013)

sexta-feira, 15 de março de 2013

Chuva


Acordei e o céu tomado por nuvens enegrecidas
ditavam os meus caminhos.

O orvalhar na janela me trazia a visão do que me aguarda
pelos minutos que ainda me restam.

Um sorriso passou por trás de meus olhos
taciturnos.

Uma música me transportou para o outro lado do arco-íris.

Naiana Carapeba (15/03/2013)

segunda-feira, 25 de fevereiro de 2013

A lógica do tempo


Tudo passa.
Tudo, tudo.
Racionalmente - sei.
Emocionalmente - sofro.

Hoje seria o dia em que tudo iria retornar.
As estrelas apagadas em meu céu iriam retomar seu brilho.
Não mais escuridão.
Não mais caminhos sinuosos ou incertos.

Tudo passou, porém.
Tudo, tudo.
Não há porquês ou ansiedades.
O passado sepultou todas as preocupações.
E tudo que um dia foi apenas incógnita
transformou-se em exclamações e certezas imutáveis.

Espere.
E viva.
Espera.
Viva.

Não há razão para sofrer pelo inevitável.

Naiana Carapeba (25/02/2013)

quinta-feira, 21 de fevereiro de 2013

Piedade




Continuava a alimentá-la,
mantendo-a viva, apesar de decrépita.
Parecia movido pela piedade que se tem com um cão doente.
Ingeria suas vísceras,
marcando seu interior com garras de fogo.
Era um animal.
Uma besta raivosa e sem controle.

Enquanto isso, ela ainda sonhava:
E seu destino era um inocente pássaro azul,
revoltando-se no céu,
contra uma tempestade iminente e inevitável.

Vivia a crônica de uma morte já há muito anunciada...

Naiana Carapeba (21/02/2013)

Better man



Waitin', watchin' the clock, it's four o'clock, it's got to stop
Tell him, take no more, she practices her speech
As he opens the door, she rolls over
Pretends to sleep as he looks her over

She lies and says she's in love with him,
can't find a better man
She dreams in color, she dreams in red,
can't find a better man

Talkin' to herself, there's no one else who needs to know;
she tells herself
Oh
Memories back when she was bold and strong
And waiting for the world to come along
Swears she knew it, now she swears he's gone

She lies and says she's in love with him,
can't find a better man
She dreams in color, she dreams in red,
can't find a better man
She lies and says she still loves him,
can't find a better man
She dreams in color, she dreams in red,
can't find a better man

She loved him, yeah... she don't want to leave this way
She feeds him, yeah... that's why she'll be back again
Can't find a better man

Pearl Jam

segunda-feira, 18 de fevereiro de 2013

It's just business


Lentamente, escorrega-me a alma
fugidia, pela sola dos meus pés gelados -
paralíticos - consumidos no medo da sua ausência.

Iminente, a solidão se apodera dos meus pensamentos.
Vagam e evanescem os vestígios de nós dois -
dissipam-se à medida que surgem novas paisagens em seu horizonte.

Sob um céu límpido turquesa,
as correntes que jamais nos prenderam partem seus elos.
Suaves e frágeis tentáculos de uma hera primaveril -
meras lembranças que vagam num interminável solstício de inverno.

Lentamente, escorrega-me a alma
vazia, derretida a pingar de minhas orelhas -
surdas - incapazes de atender ao chamado de uma vida que continua, à minha revelia...

Naiana Carapeba (18/02/2013)

domingo, 17 de fevereiro de 2013

Reinado interrompido


Meu reinado interrompido
por uma guilhotina enferrujada a trabalhar.

Uma carruagem cruza a rua e se sacode, sem diplomacia -
os cascos dos cavalos que a puxam batem ritmados no chão de paralelepípedos.

Tochas iluminam as ruas imundas,
onde meu reinado queda inerte -
encerra-se uma dinastia sem glória ou descendência.

Os candelabros nas mãos dos insurretos
permitem-lhes insultar-me impiedosamente.
Dos seus lábios carmim escuto gritos - 
ordens estridentes emanadas de um rei posto.


Naiana Carapeba (17/02/2012)

quarta-feira, 13 de fevereiro de 2013

Sobre viver e calafrios


Lá fora o sol a arder.
Aqui, sem contraponto, minha cabeça queima.
Meu corpo percorrido em calafrios.

O sol a brilhar.
Cá dentro, porém, o dia é coberto em poeira.
Inconsciente, o ponteiro do relógio avança.

Sobreviver agora.
Chorar depois.

Tosse, tosse, tosse.

Sobreviver.
Sobre viver.
Viver...

Minha mente em devaneios:
Quando virá a chuva?


Naiana Carapeba (13/02/2012)

domingo, 3 de fevereiro de 2013

Elderly woman behind the counter in a small town


I seem to recognize your face
Haunting, familiar, yet I can't seem to place it
Cannot find the candle of thought to light your name
Lifetimes are catching up with me
All these changes taking place, I wish I'd seen the place
But no one's ever taken me
Hearts and thoughts they fade, fade away...

I swear I recognize your breath
Memories like fingerprints are slowly raising
Me, you wouldn't recall, for I'm not my former
It's hard when, your stuck upon the shelf
I changed by not changing at all, small town predicts my fate
Perhaps that's what no one wants to see
I just want to scream...hello...
My god its been so long, never dreamed you'd return
But now here you are, and here I am
Hearts and thoughts they fade...away...

Pearl Jam

quarta-feira, 30 de janeiro de 2013

Oitavo Andar





Quando eu te vi fechar a porta eu pensei em me atirar pela janela do 8º andar,
Onde a dona Maria mora, porque ela me adora e eu sempre posso entrar,
Era bem o tempo de você chegar no T olhar no espelho o seu cabelo, falar com o seu Zé,
E me ver caindo em cima de você como uma bigorna cai em cima de um cartoon qualquer.

E ai, só nos dois no chão frio,
De conchinha bem no meio fio,
No asfalto riscados de giz,
Imagina que cena feliz,

Quando os paramédicos chegassem e os bombeiros retirassem nossos corpos do Leblon,
A gente ia para o necrotério ficar brincando de sério deitadinhos no bem-bom.

Cada um feito um picolé,
Com a mesma etiqueta no pé,
Na autópsia daria pra ver,
Como eu só morri por você,

Quando eu te vi fechar a porta eu pensei em me atirar pela janela do 8° andar,
Invés disso eu dei meia volta e comi uma torta inteira de amora no jantar.

Clarice Falcão

Ecos


Ecos distorcidos se fazem escutar do outro lado da linha.
Poucas palavras permitem perceber que o distanciamento é muito maior do que todos os quilômetros que estão entre nós.

Ecos distorcem as imagens que você projeta,
alterando minha percepção dos seus sonhos.
Involuntariamente, vislumbro que a direção tomada por você é absolutamente inversa à minha presença.

Ecos.
Ecos.
Ecos.

E, então, o silêncio.

Estou só.

Naiana Carapeba (30/01/2013)

segunda-feira, 28 de janeiro de 2013

Fantasmas cadentes


Até quando fantasmas irão povoar minhas trilhas?
Até quando serei peregrina em uma terra de cadáveres lançados ao chão?

Atrás de mim quedam os corpos daqueles que me conheceram - 
paralisados e cegos.
Ao meu lado.
À minha volta.
Ao meu redor.

E tudo cessa.
Há apenas o silêncio e a certeza de que não haverá retorno.

Tudo cessa.
Solitárias, minhas mãos continuam a arranhar minha face e a rasgar os céus na busca de um pouco de paz.

Naiana Carapeba (28/01/2013)

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